Detonar o melão ao som do programa Love Songs não é para qualquer um. É preciso coragem para admitir que se abraça o travesseiro com força ao som de melodias avassaladoras. Ao ligar o rádio e ouvir Wish you were here, do Bee Gees, um terremoto de sentimentos confusos vem à mente e nada mais faz sentido. A ruína moral se instala com força, quebrando tudo.
Não sou Arlindo Sassi, mas posso traduzir tuas emoções, sem medo algum. Espera o som de vento ditar o ritmo da música e deita em meus braços. Se meu falsete não te fizer gamar, largo e tudo e me mando pra Ferrugem. Lá posso guiar o ônibus da Tribo de Jah e evitar novas colisões.
Me acerta, Cupido.
Ouça o 8º episódio do podcast.
Ascensão e queda da música que fala sobre sentimentos: você está numa casa noturna, cheio de tédio e sem esperanças para ir embora. De repente, um messias de silicone sai das caixas de som do lugar em uma mistura fina entre Take on Me do A-ha e Close to Me do Cure. Entre se fechar ou me levar, tudo que resta viver é experimentação. Seja de um solo de cinco minutos olho no olho do Bruce com uma guitarra de papel na pedra da Urca ou pular do estádio de São Januário amarrado ao Leo Batista.
Se não faz sentido para você, eu não posso mais dizer nada. Fique entre a juventude perdida pela cegueira do sucesso e uma carreira arruinada por um momento de Nirvana. Haja coração para o episódio 7, é Tesla pra cardíaco, Galvão.
Ouça o 7º episódio do podcast.
Música fatal é aquela que começa com um baixo dentro de um poço e em seguida chega a guitarra de avião, fuzilando os ouvidos desavisados. Nenhum massacre sonoro tem êxito se não for acompanhado de um clipe com imagens de guerra. Por isso que ouvir "Overkill", do Motörhead, é um convite ao suicídio dirigido. Se o metal é o Messias, somos os devotos do solo de morcilha, que eleva a alma e manda o espírito ás favas.
E apesar de nunca ter tomado ácido, sei que Lemmy é Deus. E nos enviará o JESUS SUADO, cansado de tanto fazer e dar apoio aos fiéis.
Perdoa, Pai, pois eu solei.
Ouça o 6º episódio do podcast.
Preta. Gil. Caixa. Preta.
Ouça o 5º episódio do podcast.
Às vezes só o que uma pessoa precisa para ser feliz é comprar uma piscina e deixá-la permanentemente vazia. Nada de cloro, protetor solar ou bóia de jacaré. Apenas o eco que o som da chuva no fundo do acrílico faz. Pesquisas comprovam que três minutos diários de choro ao som de "Far Behind", do Candlebox, produzem maravilhas para o humor.
Pode parecer contraditório, mas não é. Depois de entrar nu na piscina sem água e lá permanecer por esse tempo recomendado, uma nova pessoa emergirá. Um pouco melancólica, talvez. Mas pronta para encarar a vida com outros olhos. Faça o teste. Eu já fiz e posso afirmar: limpar as lágrimas no joelho nunca fez tanto sentido.
Ouça o 4º episódio do podcast.
Existe uma teoria pouco difundida (mas nem por isso menos relevante) que diz que certas músicas devem sempre ser colocadas entre a faixa 3 e a faixa 5 de um disco. Nem antes nem depois. Ao ouvir "Here I go again", do Whitesnake, qualquer ser vivo com um pouco de discernimento estético entende que é impossível não encaixá-la nas posições já citadas, tamanho é o clima libertário da introdução e a pujança do refrão.
Também conhecida como MÚSICA DE ENGATAR A TERCEIRA MARCHA, canções como essa provam que pegar a estrada e desviar do pedágio pelo meio do mato, com o som no último volume e uma fita cassete da coletânea Monster Ballads despejando verdades, é a única coisa a ser feita em muitas circunstâncias.
Aqui vou eu de novo, sozinho.
Ouça o 3º episódio do podcast.
Poucos sabem, mas os alucinógenos chegaram no interior bem antes do que nas capitais, graças às ferrovias. Em músicas como "Fuscão Preto", cantada pelo Trio Parada Dura, podemos ouvir um baixo que é verdadeiramente do demônio, feito com tripa de ovelha recém carneada e tocado com uma morcilha em substituição à palheta. É o famoso som orgânico, que muitos tentam emular e fracassam rotundamente.
Com medo da influência transgressora que o LSD e outras substâncias que distorcem a realidade poderiam trazer, o governo foi progressivamente sucateando a malha ferroviária, chegando ao ponto deplorável em que se encontra hoje. É difícil prever o que poderia ter acontecido se os trens tivessem espalhado alucinógenos por todo esse Brasilzão afora, mas uma coisa é certa: Sérgio Reis seria tão ou mais cult do que Mutantes.
E com muito mais méritos, sem dúvida.
Ouça o 2º episódio do podcast.
Depois de muito pesquisar, encontrei a prova fatal de que GALEÃO CUMBICA foi baterista do Raul Seixas.
Tirado do site do JAY VAQUER:
---------------------------------------------------------
INSUCESSOS COM RONNIE CÓCEGAS
Outro amigão de Raul foi o humorista Ronnie Cócegas. Moravam na mesma rua, frequentavam a mesma escola de música, os mesmos bares e restaurantes, jogaram capoeira e fizeram vários shows junto. "Tocávamos em Feira de Santava e em Itabuna. Não tinhámos nem nome e não faziámos sucesso nenhum" , contou o humorista.
A Mãe de Raul , dona Maria Eugênia, pedia que Ronnie diexasse seu filho em paz, pois não queria que ele virasse artista. Ronnie guardou a lembrança: "Ela queria que Raul fosse para os Estados Unidos, estudar e se tornar doutor. Mas eu dizia que não era eu quem o levava, era o Raul que adorava música e era ele quem me chamava para tocar. De fato , eu era baterista de uma banda que tocava numa boate de hotel em Salvador e o Raul sempre assistia ás apresentações escondido em um cantinho, pois era menor de idade e não podia frequentar o lugar". ( Este depoimento foi dado pouco antes da morte do humorista. )